terça-feira, 16 de junho de 2009

Ínvios são os caminhos do Senhor

Depois de ter abençoado a transferência de Ronaldo para o Real Madrid, afirmando a todos que eram justas as moedas pagas uma vez que se tratava de um bom Cristiano, a Igreja Católica decidiu dar provas da sua vitalidade e modernidade e, numa jogada de mestre, resolveu explorar o grande fenómeno que movimenta milhares de pessoas por todo o mundo: o futebol.
Monsenhor Christoball, o franciscano responsável pela magnífica ideia que colocou Portugal na rota dos países privilegiados da fé cristã, explicou à villa que teve esta visão numa manhã húmida, quando orava em sossego na Capela de Vilarinho das Furnas, depois de ter estado, de véspera, a comentar os negócios de pré-temporada dos grandes clubes nacionais com outros colegas de seminário.
Segundo este eclesiástico, "o FC Porto aproximou-se de Deus quando contratou Jesualdo para treinador principal da sua equipa de futebol. Basta atentarmos nas primeiras quatro letras do seu nome para percebermos, arrepiados, o significado da contratação. Mas se pensam que tudo ficaria por aqui estão redondamente enganados. Os desígnios do Senhor são misteriosos e logo verificamos que também o Sporting CP seguiu idêntico trajecto, ao contratar Paulo BENTO para seu treinador principal, em homenagem para com Sua Santidade. E agora, depois de saber do provável futuro responsável técnico do SL Benfica, deu-me um QUIQUE e percebi que a fé tem de ser entendida como algo de espiritualmente ligado ao futebol português. E com aqueles milhares de simpatizantes espalhados pelos quatro cantos do mundo, fácil foi fazer a associação das implicações de tal desiderato para toda a Santa Igreja. Para além de se ter já estabelecido um protocolo que vai permitir instalar em cada estádio uma pequena capela, onde se poderá dar conforto espiritual ao adepto desolado da equipa em dia de derrota ou de empate em jogo decisivo, o programa tem um alcance muito mais vasto pois pretende-se a evangelização e o encaminhamento dos elementos das claques. Reparem que desde a época dos Descobrimentos que não sabemos o que é transmitir a palavra do Senhor a selvagens (com excepção do nosso querido irmão Melícias, que sempre escutou as confissões de José Sócrates e outros membros do seu Governo, procurando aconselhá-los), e todos os sacerdotes estão profundamente emocionados com esta oportunidade única de salvação das almas que agora lhes está a ser oferecida. Estamos, igualmente, em negociações com a Liga de Futebol Profissional para que, nos 30 minutos que antecedem o início de cada partida, possa ser celebrada uma pequena homília no centro do relvado, passando a ser distribuída uma pequena Bíblia à entrada para o estádio de maneira a que os fiéis possam seguir as leituras. Pensamos, inclusivamente, que está ultrapassada a dificuldade inicial, em que se temia que os padres fossem confundidos com a equipa de arbitragem, mas esta agora tem por hábito trajar de cores garridas pelo que não se revela complicado a coexistência de ambas as realidades. Iremos, também, ensinar novos cânticos que poderão ser entoados ao longo do desafio, tais como: «o árbitro é irmão» ou «filho de uma santa virgem», em substituição de desagradáveis expressões que eram utilizadas. Em vez de morteiros e outros objectos pirotécnicos ou armas brancas, todos levarão frasquinhos com água benta, uma pequenina imagem de Nossa Senhora de Fátima e um terço para as bancadas e, no intervalo, aproveitarão para rezar em conjunto enquanto ecoa canto gregoriano, criteriosamente escolhido para a ocasião, pelos sistemas de som. No final, nas entrevistas, antes de cada um dos intervenientes falar sobre o jogo, é entoado um salmo e termina-se tudo ao ritmo do Aleluia".
Isto é que é ter fé!
Valha-nos Deus!
Hic Hic Hurra

2 comentários:

o quique foi? disse...

Aliás, é enternecedor, comovente e sublime observar como jogadores, árbitros (até o 4º), fisioterapeutas, roupeiros, todos eles de benzem com meiguice e rematam o piedoso ritual com um casto beijo na unha do polegar.
Eu não consigo reter as lágrimas sempre que o jogador substituído abandona o relvado com a mãozita suada a percorrer-lhe o rosto até acabar a chupar o polegar. É belo, é arrebatador, eu adoro.
Depois, já o grande Scolari rezava à sua virgem do Carago ou Caravagio, ou lá o que era.
Basta olhar o homem, todo ele respira fé e transcendência, inspira fervor e adesão, expira mística e algum soco falhado, mas isso, caro Zé, ninguém é perfeito.
Concordo, os caminhos são ínvios e os do Benfica são índios.

Ze_Cuscopos disse...

Meu caro o quique foi,

E o futebol, que era o ópio do povo, passa a ser a religião do povo.

Tudo está bem, quando acaba bem!

Haja fé!!!

Hic Hic Hurra