sábado, 17 de janeiro de 2009

Prima questio: Sol lucet omnibus?

A Villa não podia deixar de se associar a este movimento de felicidade total e absoluta do povo português que viu, assim num ápice, uma grande referência pátria guindado ao patamar de melhor do mundo.
Mundo esse que é redondo, tal como redonda é a bola que levou este miúdo madeirense ao convívio com as estrelas do pontapé no esférico.
Ainda esta semana, no rescaldo do grande acontecimento que não deixou ninguém indiferente (talvez, apenas, o Tio Chico da aldeia de Penhas Juntas, que não tem televisão em casa e não sabe ler jornais, embora quase acerte na identidade do puto maravilha quando lhe mostramos a fotografia: “- É o potro que me fugiu quando eu tinha 22 anos, não é? Reconheci-o pela dentadura! Onde é que o conseguiram encontrar?”), tivemos a oportunidade ímpar de ler um artigo escrito pelo primeiro treinador que o pequeno grande futebolista teve e que, pasme-se, já na altura via nele um pequeno fenómeno, dono de uma técnica impressionante e de um querer que o haveria de levar longe.
O que não se sabe é que já o médico parteiro que trouxe ao mundo este rapazinho fez questão de afirmar que se tratou de um parto inesquecível: “- O bebé saiu lá das partes pudendas da mãe e, com uma rapidez invejável, fintou-me a mim e ao enfermeiro, driblou o pai que estava na sala e foi-se anichar, após um triplo mortal seguido de uma dupla pirueta à retaguarda, no seio da única enfermeira que ali estava na altura, agarrando-se ao mesmo que nem uma lapa. Foi nessa altura que eu topei que ali estava um fenómeno do desporto e que, mais importante, era maluco por mamas e gajas!”.
O que nos foi confirmado por alguém muito próximo da família, que afirma que ainda antes do primeiro ano de idade, o pequenote tinha por passatempo escarrapachar-se por baixo das saias das mulheres que frequentavam a sua casa, chegando mesmo a tentar subir algumas pernas mais bem torneadas na sua ânsia de alcançar novas experiências.
Aliás, sua mãe já veio dizer publicamente que ele, em garoto, levava fotografias de raparigas para a casa de banho e quando lhe perguntava o motivo para tal procedimento a resposta era sempre uma: “- Ora, mamã, vou brincar com as bolas!”.
Desde cedo, portanto, se verificou uma especial apetência da criança para tudo o que metesse esféricos e raparigas.
A sua evolução foi normal, face às suas aptidões, e não tardou a que, ainda imberbe e com borbulhas na cara (hoje, por exemplo, já não tem tanto acne), rumasse a um grande da capital para engrossar as suas fileiras de jovens talentos.
Logo aí também se verificou as suas qualidades futebolísticas, mas não se pense que a sua outra grande valia ficou esquecida.
Com efeito, ao lado do local onde os jogadores ficavam, num improvisado centro de estágio, estava situada uma pensão onde se exercia a mais velha profissão do mundo.
Ora, um adolescente, só e perdido, num mundo muito diferente daquele a que estava habituado, não poderia deixar de se enganar na morada e, um belo dia, entrou por acaso naquele antro, tendo ficado encantado com o que descobriu.
Encantou-se tanto que, a partir de tão fatídico dia, voltou a perder-se à razão de duas vezes por dia.
A família é que não achava grande graça ao corte no ordenado do petiz, mas este desculpava-se dizendo que eram gastos com a... comida (no que não andava longe da verdade, pois havia sempre uma que era comida).
O tempo foi passando, o rapaz foi crescendo e acabou por integrar a equipa principal desse grande clube, realizando exibições que despertaram a cobiça de um grande clube inglês e que o levaram a assinar contrato com o mesmo.
Onde passou a ter o estatuto de titular indiscutível, ao mesmo tempo que foi descobrindo os prazeres da vida da alta sociedade, nomeadamente no que concerne às mulheres.
É que, pelo que se sabe, a única coisa que se mantém constante nos dois amores da sua vida é a ligação ao United, pois de raparigas estamos falados.
Hoje é imagem de marca do clube e da selecção nacional e, quando aprender a falar e a pensar (coisas que não lhe têm feito grande falta), perspectiva-se um futuro radioso, já não como melhor do mundo, mas sim como milagre do universo.
O que lhe permitirá, talvez, responder à grande questão filosófica que lhe ocupa agora o tempo e para a qual ainda não tem resposta:
“- Será que as extraterrestres possuem mamas?”
Hic Hic Hurra

11 comentários:

caxecole disse...

Eu ache ca inveja é que faz você falar, é tude inveja.
O pute é memo maravilha, saiu do ventre esférique da mãe Dolores num parte sem ditas.
Bem ditas as gajas co pute tem cumide. E elas continui à espera dele porque o pute repete a quem quer ovir: Conte cá voltar!

Ticha disse...

Esse é que é mesmo o problema, falar e pensar...caladinho até passa bem.

Ze_Cuscopos disse...

Caro caxecole,

Sem dúvida que o puto é uma maravilha. Alguém teria afirmado o contrário?

E nós apenas temos inveja que o nosso inato talento para emborcar quantidades industriais de vinho, que nos coloca, quiçá, entre os maiores bebedores mundiais, não possibilite os mesmos rendimentos mensais.

É que, raios me partam, o gajo não paga nem o equipamento, nem a bola, nem o campo que utiliza para praticar o seu desporto favorito, e nós...

Já para conseguirmos um patrocínio da Adega Cooperativa de Pinhal Novo, foi o que foi!

Hic Hic Hurra

Ze_Cuscopos disse...

Cara vizinha Ticha,

É verdade que o moço não é um predestinado para a conversa (tirando com as garinas, pois aí a coisa muda de figura)!

Será mais adepto daquele tipo de socialização conhecida em Inglaterra (onde joga) por Body Talk!

Mas, o que nos preocupa verdadeiramente é o absurdo a que chegámos, com ordenados e mordomias absolutamente fora do comum e com a subserviência colectiva a pessoas que, de repente, devido ao facto de possuirem um certo jeito para jogar à bola, passam a ser verdadeiros deuses!

A pergunta que muitas vezes me faço, sendo que eu próprio gosto de futebol, é se será justificado o investimento, absolutamente inacreditável e ofensivo para os restantes seres humanos, que é feito nestes jovens talentos.

A culpa não será deles, é um facto. Contudo, um bom médico, capaz de, com os seus conhecimentos técnicos, fintar a morte que tenta, por castigo máximo, levar a vida aos seus pacientes, ou um bom juiz, que consegue ter o discernimento para apreciar com dignidade os casos da vida que lhe são colocados, à luz da lei, arbitrando com isenção para as equipas envolvidas no jogo que se disputa em Tribunal, ou, ainda, um bom professor, capaz de nos transmitir ensinamentos dignos e capazes, que nos permitem não estar fora do jogo da vida, não mereceriam esses, sim, vencimentos mais condizentes, tendo em atenção os benefícios, inegáveis, que são o fruto do seu labor?

E que dizer, então, de um pai e de uma mãe, que se dedicam de forma intensa e apaixonada ao acompanhamento dos filhos, vibrando com as suas vitórias, dando-lhes tácticas correctas a aplicar no futuro e erguendo-lhes a moral quando as coisas não correm bem?

Pois é, nestes casos o futebol é outro...

Não digo que não mereçam ser bem pagos. O que defendo é que, assim sendo, também outros merecem.

O sol, quando nasce, não é para todos?

Desculpem qualquer coisinha, sim!

Hic Hic Hurra

asterisco disse...

Concordo inteiramente.
É imoral, escandaloso, monstruoso até que alguns fulanos ganhem fortunas graças ao futebol. É excessivo e totalmente injustificado, desproporcionado.
Para mais quando ninguém verifica a proveniência das somas loucas que os abramovitches todos lavam na água suja do futebol.
Depois, é patético, ridículo, enjoativo todo este endeusamento de um jogar a quem falta muito para chegar aos tornozelos do Figo, do Eusébio,do Zidane, etc.
Zé, estamos em sintonia.
Entãio...e o almoço? Para quando?

asterisco disse...

Ó Zé, ena duas gralhas, "jogador" e "então".

Querem ver que o Cuscopos sou eu?

Ze_Cuscopos disse...

Meu caro asterisco,

Nunca o papel de Cuscopos estaria tão bem entregue!!!

Faria, de longe, melhor figura que este pobre diabo que lhe escreve estas linhas, que se limita a escrever coisas sem sentido, já depois de destilada a bebedeira (ou, ainda pior, quando está no epicentro da mesma).

Dava-lhe, de bom grado, as chaves da Villa, à confiança e com passe de acesso à adega e tudo!!!

Quanto ao almocinho, aguardo instruções, já que tudo depende da disponibilidade dos suspeitos do costume.

Pois é evidente que faço questão de marcar presença, nem que TANHA de ir com os pés desCALÇOS, uma vez que a tosga actual nem me deixa lembrar onde guardei os sapatos e as meias.

Hic Hic Hurra

Ticha disse...

É o que digo sempre,
Falta-lhe muito para chegar aos calcanhares de um Figo, Eusébio ou Zidane...jogar à bola não chega.

Rabodesaia disse...

Eu até gosto do Cristiano. Em primeiro lugar porque quem apostou nele foi o sporting ( esse grande clube) que já agora deveria ter sido referido no discurso!
Quanto a ser parolo, exibicionista e a não saber falar... isso não interessa muito na verdade, porque não é poesia que dá dinheiro.

zé casbolas disse...

O rapaz não tem culpa, não se lhe pode exigir mais. Contudo, é triste ver o País (políticos, Comunicação Social) a bajular um indivíduo boçal cujo mérito é fortemente empolado.
Todo este circo só põe a nu a nossa pobreza de espírito.
E não se pede muito. Bastaria que ele tivesse a craveira do Figo.
É bom para ele ganhar milhões, ter carros e gajas, mas daí a ser exibido como uma semi-deus!
A verdade é que ele não merece o título. O Messi é MUITO melhor, tem um talento natural à altura de um Maradona. E esse talento não se mede com mais ou menos golos, é a arte acima dessas contingências.
Mas enfim, as coisas são o que são...

João J. disse...

Só de pensar que o rapaz veio cá a casa pedir-me o carro emprestado por um dia.. e espetou-se logo no tunel do Marquês, parte-se-me o coração... dizem que foi lá para Inglaterra, mas eu é que sei...
Tá mesmo visto... ele só sabe jogar à bola, porque a conduzir é um zero à esquerda... ou à direita...